5.º Dia da Formação em Roma – 5.ª sessão

No último dia de formação, tal como previsto, visitamos durante a manhã, uma escola secundária pública em Roma. Pelo que pudemos perceber é uma das escolas mais referenciadas pela qualidade do ensino, pelos prémios obtidos em projetos nacionais e internacionais, bem como pelas elevadas taxas de colocação dos alunos no ensino superior. Como muitas escolas em Itália, o nome Liceo Dante Alighieri homenageia o conhecido poeta e escritor italiano dos sec. XIII e  XIV.  Sendo uma escola dita de educação clássica, ensina-se o latin e o grego a matemática e a filosofia e as obras literárias a que o currículo faz referência têm de ser estudadas na língua original. Por exemplo, a Divina Comédia de Dante é estudada em italiano medieval.

Fomos recebidos por um professor de Filosofia, cujo nome não consegui fixar, que nos explicou todas estas informações e e que nos deu uma visão global do sistema educativo italiano e do funcionamento desta escola. Algumas escolas em Itália ainda têm aulas ao sábado de manhã, de modo a permitir que durante a semana os alunos possam ter um horário mais reduzido. Esta é uma opção dos alunos e das respetivas famílias.

Outro aspeto interessante é o facto de muitas das escolas  se situarem em edifícios estatais bastante antigos. Alguns palacetes do séc. XVIII e XIX foram reconvertidos em escolas e outras instituições públicas. Esta é a situação da escola que visitamos, uma vez que se situa num edifício que data do séx. XIX com 4 andades e com corredores labirintícos e estreitos, com recantos, esculturas e pinturas nos tetos.

Apesar disso, todas as salas dispoêm de quadro interativo, uma vez que não têm qualquer outro quadro, muitas têm computadores disponíveis para os alunos, apesar de, em quase todas as salas, o espaço ser exíguo devido ao reduzido tamanho das salas de aula. Isto acontece igualmente porque muitos destes edicícios são classificados como património histórico, logo a sua estrutura não pode ser alterada.

Curiosamente, o sistema informático que utilizam e que serve para toda a organização da escola – escrita dos sumários, avaliação de alunos, agendamento de reuniões entre Pais e Encarregados de Educação e os diversos professores e todas as restantes atividades relacionadas -, é um sistema único, obrigatório, e aplicado em todas as escolas do país. Aliás, não sabem o que é um “livro de ponto”, uma vez que há cerca de 10 anos o Ministério de Educação italiano tornou obrigatória a utilização deste sistema.

Neste sábado, tal como acontece uma vez por mês, a escola estava aberta durante todo o dia para que os potenciais candidatos e as respetivas famílias possam visitá-la e obter informações sobre a oferta educativa e o seu funcionamento. Esta medida deve-se ao facto de a escola ser procurada por muitas famílias, não conseguindo, no entanto, aceitar todos os que a procuram.

À tarde continuamos o programa de visitas, mas desta vez à cidade e, em certa medida à história de Roma. O guia desta visita cultural foi o nosso anfitrião que, de tão habituado a receber professores de toda a Europa, tem um grande conhecimento da cidade. A visita, que durou quase 3 horas, a pé, atravessou séculos de história de Roma, desde a formação da cidade, passando pela formação e declínio do império romano até ao Renascimento.

Por sorte passamos por locais que ainda não tinha visitado, como as Termas de Diocleciano, a Igreja de San Vitale – que data do séc. VI d.C, sendo uma das mais antigas de Roma e cujas paredes estão completamente cobertas de impressionantes frescos -, o mausoleu de Augusto; o Ara Pacis; o Palácio do Quirinale (palácio presidencial) e o Palácio da família Barberini – uma das ricas famílias do séc. XVII e que impulsionou as artes e a arquitetura de Roma na altura do Renascimento, contratando artistas tão bem conhecidos, como Bernini e Borromini.

Na Roma renascentista passamos pelos jardins da Vila Borghese (outra das famílias proeminentes da Roma clássica) e pelas Piazza del Popolo, da qual saem três ruas em forma de tridente que se dirigem às famosas Piazza de Spagna, Piazza Navona e Piazza Venezia.

Jantámos e fizemos as despedidas na Piazza Navona com todos os participantes nos diversos cursos, com a promessa de, entre muitos de nós, se manterem contactos no futuro e de se realizarem parcerias e projetos comuns.

Tal como sempre, tento aproveitar ao máximo as oportunidades e apreciar os aspetos positivos de todas as minhas aventuras. Os aspetos menos satisfatórios, que os há sempre, tento desvalorizá-los. Esta mobilidade em Roma foi, sem dúvida, uma experiência inesquecível e que me tornou seguramente mais rico, profissionalmente e pessoalmente.

Continuarei sempre que possível a contribuir para a melhoria do meu desempenho enquanto professor e para a melhoria da escola onde exerço a minha profissão.

Prometo colocar as fotos deste post o mais brevemente possível.

Senatus Populusque Romanus ou SENATVSPOPVLVSQVEROMANVS

“O Senado e o Povo de Roma”

 

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