4.º Dia – LTT em Mugla, Turquia

No início deste dia estava combinado encontrarmo-nos no lobby do hotel, logo de manhã cedo. Assim foi. Às 9 horas já estávamos todos a postos para partir. Sabíamos que nesse dia não iriamos à escola turca, mas ainda nada sabíamos acerca dos pormenores do programa.

Assim, na companhia de Mutlu Altay, de Aslı Bekçibaşi e de Șırin Urhan Yıldız – outra das professoras turcas que nos viria a acompanhar durante toda a semana -, os nossos amigos turcos, fizemos uma curta caminhada pelas ruas da cidade de Muğla. O destino era o espetacular pavilhão de desportos da cidade – Mentese Spor Salonu. Este equipamento desportivo está preparado para a prática da maioria dos desportos de pavilhão. O pavilhão principal permite a assistência de cerca de 10 mil espetadores e está preparado para a prática oficial de diversos desportos coletivos. À sua volta, um conjunto de ginásios, centros de fitness, de halterofilismo, de judo, de ténis de mesa, de ginástica, entre outras modalidades, permite a utilização pela população e pelas equipas desportivas da cidade.

              

Também as escolas usufruem deste equipamento, já que o estado turco promove a prática desportiva pela população escolar desde tenra idade. Este organiza um conjunto de iniciativas em que os alunos das diferentes escolas realizam provas de aptidão física, sendo captados/escolhidos – os que melhores resultados alcançam -, para a prática desportiva em clubes, com o objetivo de desenvolverem as suas aptidões e poderem mais tarde integrar as seleções nacionais nas diferentes modalidades. Assim, a maioria dos estudantes, desde muito jovem, exerce, paralelamente à atividade escolar, a prática de um determinado desporto. Nesse dia decorriam as provas de aptidão física de alunos com idades ao nível do 1.º ciclo.

  

A visita ao centro de desportos tinha um objetivo. Estava prevista uma atividade com alunos dos quatro países parceiros relacionada com a prática de jogos tradicionais dos vários países. Ocupámos um dos ginásios adjacentes ao pavilhão principal e aí passámos o resto da manhã em plena diversão. Com a orientação de um professor de Educação Física turco, os alunos jogaram alguns jogos individuais e de equipa e divertiram-se imenso. Também, sempre que tinha um tempo de pausa, aproveitaram para jogar basquetebol.

                                       

Além dos jogos turcos, a equipa portuguesa também se fez acompanhar de piões, cordas, fisgas, arcos e ganchetas, entre outros, pelo que convenceu todos os outros estudantes, e também os respetivos professores, a experimentarem alguns dos nossos jogos tradicionais. Constatámos que alguns destes são comuns a todos os países presentes e que, também nos outros países têm vindo a ser esquecidos. No entanto, a julgar pelo entusiasmo com que todos jogámos e nos divertimos, pudemos comprovar que estes são brincadeiras saudáveis para as crianças e para os jovens de hoje. Enfim, foi uma manhã surpreendente e divertida. Tivemos ainda a visita de algumas individualidades locais, entre as quais a diretora da Agência Nacional Erasmus+ da Turquia.

               

                               

 

     

Saímos satisfeitos do pavilhão desportivo e logo ao lado, num jardim público, seria o nosso local de almoço. Só tivemos que esperar um pouco, pois estavam a chegar as bebidas, as saladas e as pides – as tradicionais pizas turcas – extremamente saborosas.

Enquanto o almoço decorria, as participantes femininas – alunas e professoras – puderam experimentar mais uma atividade tradicional – as tatuagens de henna – tão comuns nos países de influência árabe.

A henna (Lawsonia inermis) é uma planta nativa do Médio Oriente, que é usada para decorar o cabelo e o corpo há milhares de anos. Sendo originária da Índia, esta tradição está associada ao universo feminino. Por ser tão usual, apenas surgem os primeiros indícios da sua utilização cerca de 6000 a.C. nas regiões da Turquia, Síria e Ilhas Gregas. Da casca e das folhas da planta extrai-se um corante castanho-avermelhado usado na produção de tintas usadas nas tatuagens do corpo – particularmente nas mãos e nos pés, devido à sua ação refrescante -, em diversos países do Médio Oriente, Sul da Ásia e do Norte de África. Quer sejam utilizadas em rituais ou cerimónias, qualquer que seja o significado de cada um dos desenhos efetuados, as tatuagens de henna são um sinónimo de elegância e de coquetterie.

O resultado está à vista nas fotos seguintes:

                                               

Enquanto decorriam as tatuagens e após o almoço, todos os alunos realizaram uma prova de orientação no jardim. Com o auxílio de um mapa tinham que visitar vários postos de controlo até finalizarem a prova. Aos professores coube a tarefa de ensinar os alunos a consultarem um mapa e a se orientarem por ele. E não é que alguns tiveram muitas dificuldade?

     

Todos conseguiram chegar ao fim da prova sem se perder.

Acabadas as atividades rumámos à parte velha da cidade de Muğla. Um intrincado de ruas, de lojas, um grande número de pessoas na rua, nos cafés, à porta das lojas, de vendedores e de compradores, foi sem dúvida uma surpresa para a maioria de nós. Aqui se situa a parte mais tradicional da vida na Turquia. Embrenhámo-nos neste labirinto de ruas e ruelas, visitámos uma mesquita, onde pudemos apreciar as diferenças face a uma igreja ou outro templo ou local de oração, entrámos nas lojas, sentimos os aromas a café, a especiarias, a comida tradicional; bebemos chá e alguns de nós provámos o café turco. Este, com os seus aromas e sabor a ervas aromáticas, sementes, especiarias e frutos secos é, sem dúvida, muito diferente do que estamos habituados e necessita de uma boa dose de coragem para ser apreciado. A nossa sorte foi que, com o café, deliciámo-nos com halva, um doce tradicional feito à base de sementes de sésamo torradas, açucar e mel.

           

                         

Foi um fim de tarde muito interessante e bem passado à descoberta de uma cidade bem diferente das que estamos habituados.

Regressamos ao final da tarde ao hotel, apenas para uma pequena pausa, pois viríamos a sair para jantar num restaurante tradicional onde pudemos ouvir música turca e até dançar ao som dessa música. A Andrea da Roménia fez anos e todos comemorámos o seu aniversário.

                

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