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21 de novembro

As aulas começam às 7.55h e terminam às 16.00h. À quarta-feira terminam às 13.30h. Quem precisa de apoios para recuperar aprendizagens fica na escola à quarta-feira à tarde.

Depois das aulas acabarem existem atividades destinadas a jovens e a adultos que são da responsabilidade da autarquia: apoio ao estudo, desporto, aulas de diferentes línguas…

Cada escola tem um “concierge” que aí vive, em instalações próprias. Além de abrir e fechar a escola é responsável por atividades de manutenção e pela vigilância.

Tanto um como outro edifício são considerados “de interesse público”. A “La Ruche” foi projetado por um arquiteto importante de Bruxelas  – Henry Jacobs – e foi inaugurado em 1907. Apresenta características da “art deco”: grandes janelas com vitrais magníficos, grandes paineis pintados, madeiras, mosaicos lindíssimos, estruturas em ferro trabalhado… Se o objetivo era proporcionar a uma população desfavorecida a possibilidade de usufruir de espaços iluminados por luz natural, bem decorados e agradáveis, esse desiderato foi conseguido. 110 anos depois continua bonito, mas de difícil manutenção e aquecimento. Mas só a autarquia pode intervir. E demora! Sob este aspeto, nada de diferente do nosso país!

Durante esta manhã encontrei-me com Pascale Goris, uma das responsáveis pelos estágios profissionais e técnicos. Depois de fazer um enquadramento de cada curso, mostrou-me a programação dos estágios para todas as turma e a documentação que acompanha cada aluno em estágio. Confessou algumas dificuldades na gestão de todas estas atividades, mas começou a implicar todos os docentes para a ajudarem e está a dar resultados.

Além destes estágios na Bélgica, esta escola concorre à medida Erasmus+ KA1 para que os alunos façam três semanas de estágio no estrangeiro. Assim, os de Secretariado, Contabilidade e Turismo vão para Malta, enquanto os do curso de Cabeleireiros vão para França.  Existe sempre um ou mais professores que acompanham estes alunos no estrangeiro. E com ótimos resultados.

Ideia a ser desenvolvida na ESSPC!

     

Esta conversa foi longa, pois cada documento que faz parte do “Dossier de stage” foi explicado. Ainda fui com ela a uma turma porque uma aluna desistiu do estágio em Malta. Depois de questionados se outros estariam interessados em substituir esta ausência, um aluno manifestou vontade de participar e o problema ficou sanado.

Depois de almoço, confecionado pelos alunos e partilhado com outros professores, assisti a duas reuniões de “concertação”: uma com os docentes das turmas “communes” e outra das turmas “Differencées”. Realizam-se todas as semanas. Os problemas são semelhantes aos nossos mas mais graves no que ao absentismo diz respeito: o facto de serem jovens de culturas tão diversas é um ponto que joga contra os professores, aliado ao facto da desvalorização da escola por parte de muitos pais.

As turmas “ Communes” são o correspondente às do 3º ciclo regular. As Differencées são compostas por uma dezena de alunos que não possuem o Certificado Ensino Primário ( 6 anos) e revelam atrasos em relação aos outros. Aqui também estão os alunos que revelam problemas de aprendizagem ou distúrbios de comportamento. Como estão a repetir, interessa que desenvolvam as competências que lhes vão permitir acompanhar os conteúdos no ano seguinte. Daí terem menos disciplinas – Francês, Matemática, Expressões – e haver técnicos especiaizados – Psicóloga, Educadora – que pertencem a este conselho.

Saltou à vista uma situação: os pais de todos os alunos que apresentam problemas foram contactados – presencialmente ou por telefone – e não só pelo Diretor de Turma: os professores fizeram-no e outros ficaram de o fazer. É elaborada uma minuta que é entregue na Direção para que esteja ao corrente dos problemas existentes e poder rapidamente intervir.

Eis um esquema de todos os cursos existentes no ICTFF:

organigram_FF2016.jpg

 

Após este momento de observação, regressei à direção.

Encontrei o Carlos desesperado com a plataforma de recrutamento de professores. Existem vários professores a faltar por doença e é preciso substituí-los. Existem 4 categorias de professores que se destinam aos diferentes níveis de ensino. Se estiverem a precisar de um professor para o secundário têm que contactar todos os docentes desse nível, depois passar para o seguinte e assim sucessivamente. Se não aceitarem, não há penalizações.

O sistema de faltas é muito diferente do nosso: os professores podem faltar até 15 dias por ano, sem nada descontarem, se for um dia de cada vez. Se ultrapassarem este número começam a ser penalizados no vencimento, ou seja, em vez de ganharem a 100%, começam a ganhar 80% ou 60%. Quem nunca falta pode ter a reforma mais cedo um ano.

Para terminar o dia: uma aluna de 15 anos fugiu de casa porque se diz vítima de abusos e violência por parte do pai. É acompanhada à Polícia por dois professores que ela escolheu. Ficou, ao fim de algum tempo, com uma tia. E os professores só de lá sairam quando o assunto ficou resolvido.

No final da tarde ainda houve disposição para um passeio por Schaerbeek: as casas de Art Deco e Nouvel Art, o parc Josephat

 

e o Parc du Cinquentenaire   

 

Ao jantar : “Chicons” ( endivias com presunto, puré) e uma cerveja em muito boa companhia: Nico e Marisol.

 

 

1 Comments

  1. Célia Moreira

    Tendo em conta as dificuldades de financiamento dos nossos Cursos Profissionais e, sabendo que mais cortes se avizinham,, os estágios no estrangeiro nunca serão possíveis (pelo menos num futuro próximo). Outra dificuldade prende-se com o facto de muitos alunos não quererem realizar estágio longe da área de residência (quanto mais no estrangeiro). Tenho um Encarregado de Educação do TDG que foi muito desagradável por a filha ter de ir todos os dias para uma gráfica do Parque Nascente…

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