Primeiro dia no Institut Communal Technique Frans Ficher

Primeiro dia – 20 de novembro

Cheguei ao ICTFF por volta das 8.30h, com o Diretor.

Depois de ser apresentada à secretária da direção, ficamos a saber que havia problemas: 15 professores estavam a faltar. Nesta situação, entram em ação os educadores que ocupam os alunos com atividades diversas.

Na sala contígua, Carlos, um professor de ascendência portuguesa, “Chef d’atelier”, elemento da direção, fala com um adolescente que tinha tido um problema com um colega e quando foi abordado por este professor, no corredor, fez de conta que ele não era ninguém. Existe um “Jornal de classe”, que corresponde à caderneta escolar, onde os alunos devem registar os sumários, trabalhos, tarefas, faltas, problemas, que deve ser verificado pelos professores e pelos pais. Este aluno, depois de ser repreendido, terá que apresentar no dia seguinte esse “Journal de classe”, onde o Carlos colocou o que se passara, e deverá ser assinado pelos pais. Desta forma, os pais poderão verificar que esse aluno tem outros “recados” não assinados.

Mais tarde, durante o único intervalo – das 10.25h às 10.40h – e porque chovia os alunos encontravam-se no átrio, um jovem partiu um vidro. Como não foi de propósito, o Diretor falou com ele e mandou-o para as aulas.

Depois de almoço, o Diretor recebeu os pais e um jovem de 17 anos que apresenta problemas de indisciplina. A versão que apresentou aos pais é que não gosta do curso em que está. De imediato o Diretor apresenta aos pais o registo de classificações que mostra que as disciplinas em que apresenta melhores resultados são as específicas desse curso. Será suspenso durante dois dias, a decidir pelo Diretor ( o aluno queria escolher !).

Um pouco mais tarde, Carlos liga para a mãe de uma jovem que está a faltar. Em agosto quis frequentar esta escola; em setembro foi para outra; mais tarde, e porque soube que a turma poderia receber um aluno, pediu para regressar à escola, o que nunca fez. A mãe justifica esta ausência dizendo que a filha esperava um telefonema da escola. Veremos se aparece amanhã.

Percebe-se que os problemas são semelhantes em todo o lado. E facilmente se entende que num universo de cerca de 850 alunos estas situações possam existir. Tal como na nossa escola, há pais que vêm à escola e tomam conhecimento do que acontece com os seus filhos; outros há que prometem vir e nunca aparecem!

 

Mas o dia não se resumiu a estes incidentes:

Fiz uma visita às duas escolas que se encontram distantes de cerca de 1Km uma da outra e onde os alunos têm aulas e apercebi-me das dificuldades que este Diretor tem em conseguir que o Município faça as reparações necessárias.

                                                                                                           

Apesar de serem dois edifícios muito bonitos, de interesse patrimonial, com mais de um século de existência, há salas fechadas por falta de condições, outras em mau estado. No entanto, existem muitas salas muito bem equipadas para os cursos técnicos e profissionais que aí existem: informática, cuidados de saúde, contabilidade, cabeleireiro, química, infografia…existe mesmo um curso de horticultura que é desenvolvido a uma centena de metros da escola e, na escola há um espaço – jardim, pomar – para que os alunos possam observar as plantas, os peixes, as árvores de fruto e até uma pequena vinha. Nesse espaço foi construída uma mini estação meteorológica para que estes alunos possam estudar o clima.

     

A Cafeteria, um antigo laboratório de Química – as hots servem de chaminés.

O que mais me impressionou foi ver que as alunas do curso de cabeleireiro prestam um serviço à comunidade – qualquer pessoa pode usufruir desse serviço mediante custo simbólico- e que a cafeteria é gerida por uma IPSS e também é aberta a pessoas que não estão na escola. As turmas de “ Ajudante familiar” podem sugerir a criação de pratos, podem estar na cozinha a assistir à preparação e depois recebem uma aula teórica do Chef. Mais tarde visitei as cozinhas pedagógicas: um assombro!

                                 
Num futuro próximo haverá uma creche para que os alunos que frequentam o curso de “ajudante familiar” e os “auxiliares de saúde”possam desenvolver as suas competências.

Muito mais fiquei a saber: o sistema escolar belga, da comunidade francesa; o sistema de faltas dos alunos e docentes, as plataformas de gestão de alunos e professores, a carreira dos professores, a gestão das escolas municipais…

2 Comments

  1. Célia Moreira

    A partilha de experiências é, sem dúvida, uma mais valia. As diferenças e as semelhanças com o sistema educativo português levam-nos a refletir sobre as nossas práticas quotidianas.

  2. Fátima Fernandes

    Pelo que li os problemas que o Diretor tem de resolver são muito semelhantes aos nossos, Em Portugal.
    A informação sobre os cursos técnicos e profissionais é interessantíssima.

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