Mobilidade em Pozzallo, Sicília, Itália 06-15 outubro 2017 (5º dia)

No dia seguinte, já refeitos da viagem ao Etna realizada no dia anterior, voltamos ao “Spazio Cultura” para mais atividades. Todos os participantes do projeto receberam as suas t-shirts e, depois das instruções, deram início às atividades. Era o dia das entrevistas aos imigrantes e da captação de imagens que irão ser utilizadas na elaboração de um filme sobre o projeto e a temática da imigração. Assim, durante a manhã grupos mais pequenos de estudantes realizaram entrevistas filmadas pelos professores belgas, em diferentes locais de Pozzallo.

                 

Enquanto estas decorriam, os professores visitaram o Istituto Técnico Náutico, uma das duas escolas integradas no Istituto di Istruzione Superiore Giorgio La Pira. Este dedica-se especialmente à formação de técnicos habilitados a trabalhar em navios tais como comandantes e pessoal de bordo em navios da marinha mercante, turísticos, cruzeiros, etc. Os cursos são de cariz profissionalizante e são muito procurados por jovens da região dada a abundância de atividades relacionadas com a navegação marítima e das inúmeras possibilidades profissionais existentes.

                                   

Enquanto decorria a visita, lá fora e com uma extraordinária paisagem do Mediterrâneo, decorriam as entrevistas aos imigrantes e as respetivas filmagens.

              

Ao final da manhã todo o grupo marcou encontro na Praia de Raganzino, numa das extremidades de Pozzallo. Tínhamos como objetivo a realização de análises química da água do Mediterrâneo recolhida nessa praia. Todos os estudantes, especialmente os portugueses que se destacaram como os mais ativos, participaram neste atividade, como podemos ver pelas seguintes imagens:

                                                                         

Pelos resultados obtidos nas análises do teor de oxigénio dissolvido, cloretos, nitratos, nitritos, fosfatos e amónio e medição do pH, verificámos a excelente qualidade das águas.

Após o almoço, estava reservada a parte mais emocionante do dia. Fomos recebidos pelo Comandante da Marinha de Pozzallo, responsável por todas as atividades no porto da cidade e pelas atividades relacionadas com a travessia e acolhimento dos imigrantes vindos de África por mar. Contrariamente ao que inicialmente se verificava, em que os imigrantes chegavam a Itália pelos seus próprios meios e só aí eram acolhidos pelas autoridades, atualmente a Marinha italiana, ao detetar embarcações que abandonam as costas africanas, vai ao seu encontro, de modo a transportar em segurança os imigrantes para os diversos locais da Sicília onde existem centros de acolhimento. Toda esta atividade é coordenada pelas autoridades italianas aqui em Pozzallo e em outras localidades da ilha.

A acompanhá-lo estava o Dr. Moretti, um dos médicos responsáveis pelo acolhimento de imigrantes que atravessam o Mediterrâneo rumo à Sicília e à Europa. É uma das primeiras pessoas a entrar nos barcos carregados de imigrantes, para avaliar as suas condições de saúde nomeadamente, e em primeiro lugar, das crianças que viajam em condições sub-humanas e detetar possíveis casos de passageiros doentes e que se encontrem mortos. As experiências relatadas acontecidas ao longo dos 16 anos desta sua atividade foram, sem dúvida, chocantes e emocionantes para todos os que o ouviram. Os casos mais dramáticos relatados deixaram todos os presentes perplexos perante o flagelo da imigração através do mar Mediterrâneo. As embarcações de pequenas dimensões com verdadeiras montanhas humanas, a morte por sufocação dos que viajam junto à casa das máquinas, as doenças, o sofrimento das crianças a bordo e das mães que estando grávidas dão à luz em plena viagem, as mortes por afogamento, enfim… uma terrível realidade. Ouvimos uma série de relatos que deixaram todos, em especial os estudantes, chocados e impressionados com esta situação.

Ao observar os barcos que se encontravam armazenados no porto, nos quais viajaram centenas ou milhares de imigrantes africanos, e ouvindo os casos relatados pelo Dr. Moretti, foi possível a todos nós tomarmos contacto com uma realidade que, embora seja conhecida, se encontra bastante distante das nossas vivências.

A população do sul da Sicília contacta desde há muito com esta realidade atroz em que milhares de africanos se lançam ao mar em barcos velhos e frágeis, sobrelotados de homens, mulheres e crianças, em condições marítimas difíceis, fugindo da miséria, da guerra e da fome e cuja única esperança é alcançar melhores condições de vida no nosso continente.

                                                                                      

Este foi, sem dúvida, um dia de emoções fortes que a todos despertou a consciência relativamente ao problema com que a Europa se debate diariamente desde há vários anos. Embora em Portugal, essa realidade não faça parte do nosso quotidiano, os nossos alunos puderam, in loco, vivenciar as experiências ocorridas na Sicília e em outros locais do sul da Europa.

 

 

 

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